Quinta-feira, 3 de Abril de 2008
Avó
Grito á noite
Como se pedisse a deus
Que levasse esta dor
Que me atormenta nos ossos
Que a levasse num suspiro da noite
Sem mais sofrer
Penso que ele existe
Mas deus, não o sinto
Nem ele me conhece
Triste, revoltada e sem forças
Quero que ele sinta a minha dor
Que a alma desse senhor arda e se transforme em cinzas
Que sofra como eu e que morra
Que a sua morte será justificada por mim
Porque eu serei sempre mais que ele
Porque neste mundo de merda existi.
Ele para mim morreu
Como será meu destino
De morrer
E ser mais um numero, sem sentido e sem importância.
Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008
Não escrevo.
não sei mais que escrever
jã escrevi sobre a noite
sobre o dia
também sobre ti
e sobre mim.
escrevi sobre o que gosto
o que não gosto
os desejos
e medos.
escrevi a chorar
por chorar
e por amar.
escrevi por necessidade
por querer desabafar.
as letras são o meu escape
o meu ombro amigo, quem me compreende.
Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
razão perfeita

o pensamento já me doi
assim como a mão que envolve meu corpo
na noite em que me dei
á lua, para repousar no teu desassosego.
já ossos me doem
que velho estou
mal o sangue corre na minha voz
que os meu dedos digam
e a caneta escreva
o quanto sofro nesta pele
a mortalha que me enrola
que prestes estou
a morrer mais um dia.
hoje doi-me tudo,
a razão,
que ela me doa,
que morra,
porque são os meus sentidos
a razão perfeita.
estou a morrer, mesmo já morto.
Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007
Prelúdio
Esta manhã como sempre acordei. Tive uma estranha sensação de inquietude presente num arrepio da minha pele. Hoje algo se iria passar sem que eu pudesse alterar nada...-como gostaria de puder mudar o futuro!
Olhei para a janela, ainda com o olhar meio turvo, lá estava a minha avó de volta das ervas, curvada em grande sofrimento. Já não é o que era, agora mal se pode mexer mas nunca perde uma oportunidade para o fazer. Fecho os olhos, baixo a cabeça e abano a dizer para mim "ainda se aleija".
Olho de novo para o tecto. Eu, ainda tapado. Está um frio que não se pode, parece que ainda chove hoje! Não me conformo, mas tem que ser, tenho que me por de pé. Vistas bem as coisas começo a ganhar uma vontade enorme de me levantar, ontem dei quatro ou cinco pedaladas na minha bicicleta. Hoje é que vai ser...Hoje vai ficar para a história!
Saio da minha cama ainda quente, a correr. Visto-me tão rápido como se não houvesse amanhã, o meu coração quase que salta de ansiedade. Antes de tudo vou ter com o meu Avô. Eu já aprendi o que me disse a minha mãe - Antes de tudo vais dar um beijo ao teu avós - e assim fui! A minha avó, ali curvada com o sachito a tirar a erva, parecendo que a erva no meu olhar nunca acabava, parece que tira sempre a mesma. Curvei-me e disse-lhe ao ouvido "Bom dia avó", ela com aquele jeito dela me disse "Bom dia meu menino". Como poucas palavras nos fazem sentir tão bem!
Lá fui eu no meu passo, calmo, para não dar a sensação que queria quase devorar a minha bicicleta. Lá estava ele, o meu Avô, sentado no banquito na rua de frente para a estrada. Esse banco parece que foi posto de propósito para ele me ver a andar de um lado para o outro sem se cansar, sem me cansar de ele a olhar para mim. Sentei-me ao seu lado e disse-lhe bom dia, sorriu, beijou-me a testa e apertou-me o joelho, sorriu. Sorri.
Domingo, 26 de Agosto de 2007
agarro-te
agarro-te
a mão que me segura
os lábios que não me querem largar
é neste meu, teu coração
que ainda tem espaço
para me fazer sentir vivo
todo ele arde cada dia
e noite
todo se desfaz em cinza
em dia que o sol entra
agarra-me
não me deixes cair
neste sonho, que morro
deixa-me acordar e viver
sempre contigo por perto
teus lábios ainda não me largaram
não espero por isso
não espero que sinta diferente
como não espero que a diferença do dia e noite seja tão grande que o dia deixe de ser dia para sempre e me confundir tanto ao ponto de me matar para ver se acordo de um sonho que mais tarde poderei descobrir que nunca o foi.
Terça-feira, 10 de Julho de 2007
a seta
a seta apaixonou-se pelo vento
quis deixar-se levar pela sua força
voámos os dois na mesma direcção
mas o vento só vai para onde lhe apetece
a seta apaixonou-se pelo vento
quis deixar-se levar pelo seu talento
entrámos os dois numa combinação
que tendia para o infinito inequivocamente
amanhã não vais ter tanto encanto.
e o vento apaixonou-se pela seta
quis deixar-se acompanhar pela coisa concreta
que surgia como justificação
para a materialidade de um traço no céu
e o vento apaixonou-se pela seta
e quis fazer com ela a volta completa
mas a seta estava farta de dispersão
voou para Barcelona e deixou solidão
amanhã não vais ter tanto encanto.
Musica Oioai
música: Oioai - A seta
Terça-feira, 19 de Junho de 2007
mais um dia

mais um dia
nesta noite de crente
noite em que eu te vejo ao luar
numa névoa de fumos fugidios
entre dedos inocentes
te sinto no toque
nesse momento és minha
a lua é minha
a noite sou eu
eu, noite, te tomo
todo eu te toco
num sonho interrompido
pelo teu beijo
me tocas
te olho
e deitados
te direi
bom dia amor
mais um dia nos espera
Segunda-feira, 11 de Junho de 2007
canto, esquecimento
meus poemas
se é isto que lhes poderemos chamar
pessoalmente não lhes irei chamar isso.
acho que devias fazer o mesmo.
chama-lhes sentimentos
sentimentos aprisionados
por entre frases.
sentimentos de culpa,
de gostar imenso de ti,
de quase desistir,
de ter tentado alguma coisa
mas que deu em nada,
de raiva muda que me matou
por ser fraco
são sentimentos guardados
num canto que espera o esquecimento
gravados nas letras que lês
Quinta-feira, 7 de Junho de 2007
Diario de um lunático - Parte 5

deus
te escrevo com letra pequena
te acho insignificante
perante mim
omnipresente
nem sei onde!
crias-te o que vejo
crias o dia todos os dias
como pode ser?
se nunca te vi!
se nunca te senti
como posso ter fé?
não te sou infiél
porque nunca te jurei
reais são estas perguntas
não tu
nunca o serás perante mim
poderei ser louco
um simples herege
mas real serei sempre eu.
toca-me um dia
e
prostrar-me-hei perante ti.
para sempre
são apenas letras o que lês
são mera e simples palavras
cada um dá o significado que quer
uns o sentimento que deseja.
adoro a leveza que me fazes sentir
o sorriso que emanas
os lábios que mexem e me fazem perder
na conversa que tinha-mos
a tua mão que me segura
que me mantém estável
em tudo o que faça
quero-te agora
ao meu lado
para sempre
dentro de mim